Atualmente, entre 95% e 98% do potássio usado nas lavouras brasileiras vem do exterior, principalmente do Canadá, da Rússia e de Belarus, com oscilações de oferta e alto custo de frete.
O Projeto Potássio Autazes, em Autazes (AM), a cerca de 120 km de Manaus, propõe a exploração subterrânea de uma jazida com reservas estimadas em 191 milhões de toneladas e capacidade de produção de 2,4 milhões de toneladas/ano, o equivalente a 17% a 20% da demanda nacional.
Sérgio Leite, presidente da Potássio do Brasil, destaca que ampliar a oferta doméstica de um insumo estratégico reduz a exposição do país a crises internacionais. “O potássio produzido em Autazes vai chegar às principais regiões agrícolas por hidrovia em cerca de dois dias e meio, reduzindo o tempo de entrega e os custos logísticos em comparação ao produto importado”, afirma.
PROJEÇÃO DE IMPLANTAÇÃO
O projeto segue em fase de desenvolvimento e ainda não entrou em operação comercial, mas já foram investidos mais de US$ 310 milhões, com estimativa de US$ 2,5 bilhões até o final da implantação.
Os contratos de offtake já assinados dão conta de aproximadamente 91% da produção projetada. Entre os compradores estão a Amaggi, maior produtora individual de soja do Brasil; a Keytrade, uma das maiores tradings suíças de fertilizantes; e a Kimia Solutions (Grupo Bulkfertz), em contratos de 10 a 17 anos. “Ter um fornecedor nacional de potássio pode mudar a lógica da distribuição de fertilizantes no país, reduzindo nossa dependência de importação e fortalecendo a cadeia de suprimento”, afirma Elie Cohen, sócio e CEO do Grupo Bulkfertz/Kimia.
Raphael Bloise, diretor de Projetos, conta que a iniciativa contempla prazo de implantação de 4,5 a 5 anos a partir do início das obras, marco que depende da estruturação financeira, em andamento com instituições de desenvolvimento e crédito à exportação. “Uma vez destravado o financiamento, a partir do quarto ano o projeto estará na fase de preparação da mina”, afirma.
Bloise destaca que o compromisso com Autazes começou antes da implantação e se apoia em dois pilares independentes: produzir cloreto de potássio para o Brasil e apoiar o desenvolvimento sustentável do município. “Já firmamos seis memorandos de entendimento com instituições de ensino e qualificação profissional, com prioridade para indígenas e moradores de Autazes”, afirma. A estratégia segue o Plano de Desenvolvimento de Autazes (PDA) e o Plano Bem Viver Mura.
Projeto Potássio Autazes contribui para a segurança alimentar ao ampliar a oferta nacional de potássio.



